Não sei o porquê, mas estou constantemente a imaginar a tua pessoa e a minha, numa casa longe da cidade, isolados de tudo o resto, a viver a vida sem quaisquer problemas alheios. Agarrados a ver televisão no sofá com a lareira acesa, e a ter aquelas lutas de almofadas ridículas, apenas para ver quem é que fica com a posse do comando do televisor. Lutas de cócegas inesquecíveis, para ver quem é que aguenta mais tempo. Ver um filme ao teu lado no meio daquele calor ambiente, que é feito pela nossa lareira, com uma mantinha por cima de nós.
Imagino-me a acordar de manhã e cruzar o olhar contigo ainda na cama, e dizer a mais pura e simples junção de palavras: "Bom dia".
Tomar o café da manhã contigo e dar uma volta para fora da cidade, em busca do desconhecido. Talvez para alimentar a nossa sede por aventura, ou apenas para canalizar as más energias do ofício. Conduzir o nosso carro em direção ao vento, longe, só tu e eu.
Talvez seja a isto que toda a gente chama de "Criar expectativas", mas eu sou assim. Sempre fui pessoa de criar expectativas em tudo. De sonhar por uma coisa que nunca vou ter, e mesmo estando a um passo de o conseguir, escapar-me tudo por entre os dedos como se fosse areia da mais fina.
Os dias vão contando e eu sinto-me mais triste e solitário. Não devia, por estar rodeado de pessoas que se preocupam comigo, mas isso não muda o facto de me sentir isolado. Noites para mim, são a pior parte do dia. É impossível parar de pensar e de refletir sobre o erro que a minha pessoa é. Tenho a ideia de que sou um fardo enorme para o mundo e é inevitável que me sinta mal todas as noites à custa disso.
Queria que alguém lutasse por mim, assim como eu luto pelas pessoas. Queria que alguém quisesse estar genuinamente comigo independentemente das condicionantes que a limita. Queria que alguém olhasse para mim da mesma forma que eu olho para as pessoas que me cativam.
E adivinha. Quero que essa pessoa sejas tu, que me limpes as lágrimas e faças viver outra vez.
O próprio.

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