[B.T.1] Ele.


   O gigante voltou a aparecer e eu não sei o que fazer. Corta-me a respiração sempre que o vejo e o ar fica mais denso e pesado para os pulmões, assim como para a minha existência. Tento esconder-me mas é inútil. Ele encontra-me sempre. Sinto que foi um ex-campeão do jogo das escondidas, porque nem o meu próprio pai encontra tão rapidamente.

   Por cada passo que ele dá, sinto um pulsar ofegante pelo meu corpo todo. Caminha na minha direção como se fosse um velho amigo, mas eu não o quero. Arrepia-me a espinha só de pensar nele, por ser a razão dos problemas e do mal estar que sinto, dia após dia. Um fardo enorme e pesado, que só ganha mais volume com o acumular de vivências.

   Às vezes penso no bem que me fazia em matá-lo, na satisfação e no comodismo mental que eu ia sentir depois do seu desaparecimento. Não consigo. É quase certo que nenhum método pensado por mim, possa vir a ser útil para esta causa. Já esgotei as minhas tentativas estúpidas e até egoístas para enfrentar a besta. Se correram bem? Ele ficou maior e imortal à minha mercê.

   Olho para ele e a minha vista fica cansada. Solene me sinto, sem me sentir. Cada olhar que dou, mais distante fico de mim e mais próximo fico dele. Tenho medo de o enfrentar e nunca mais conseguir voltar a viver.

   Mas se eu não o matar entretanto, quem é que o mata por mim?


Bruninho

Comentários