[S.C.2] Solitas

Sofia, sabes, hoje lembrei-me da saudade.
Sempre a achei maravilhosa. A amargura que vem ao céu da boca por cada memória que ficou. Aquela figura alheia que aparece na consciência a esfregar palha de aço nos nervos que suportam a vida. Sentimento nostálgico e satisfatório que levo comigo enquanto engulo a seco toda a vivência passada.
Tenho saudades tuas, e quero manter-me neste limbo até ao fim. Que após a esta dor venha outra. Sofrimentos seguidos de esgotamentos, são exemplos que mostram como é boa a vida de quem escava a própria cova sem dar conta. São belas as covas. Agrada-me o cheiro a terra que cai sobre os homens inertes, imóveis, sem alma alguma. Os cedros intrometidos e vivos por dentro, dão vida aos mortos sem sequer avisar o ninguém. Ambiente nostálgico. Irónico.
Espero bem que sintas o mesmo que eu. Que sofras comigo nesta efemeridade de vida e seremos assim felizes na loucura.
Só peço que não me matem. Quero viver para poder sentir todo o tipo de tortura que esta caminhada tem para oferecer. Traições, falsidades, maldades, roubos, assassinatos, violações, que venha tudo até nós.
Porém, o que sinto agora é saudade e espero nunca mais te ver, para poder viver neste sofrimento mais um pouco.

Stefano

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